“Aparição” de Vergílio Ferreira é um romance que tem como tema principal o
problema da existência do homem no mundo. É a transcendência do eu que constitui
a aparição, encontro do eu consigo mesmo, zona de fulguração íntima, de
evidência da vida e da morte, nó de um caminho que leva à explicação dos
silêncios, da nostalgia, da angústia existencial.
Acredito que muitas pessoas nunca se interrogaram acerca destes problemas
existencialistas, mas eu sim, por vezes, quando a minha alma está em paz, esta
crise existencial arrebata os meus pensamentos.
Nesta altura eu sinto-me sem chão, sem uma base debaixo dos meus pés.
Pergunto-me o que faço neste mundo, qual é o meu propósito aqui, junto destas
pessoas que não me percebem nem têm nada a ver comigo. (acho que em todos os
meus textos mostram um pouco deste meu “problema”). O que vai acontecer quando
morrer? E se estou a dormir, e só depois quando morrer é que vou acordar
efetivamente para a vida, a verdadeira vida? Esta nossa existência neste mundo
não serve para nada na verdade? Como é que isto funciona, afinal? Todas as
almas existentes ao longo dos tempos terão vivido em vão? Meu Deus! Isto tudo
deixa-me no fundo do poço. Viver para quê?
Talvez se tivesse uma boa vida e vive-se ao máximo, tudo cheio de aventuras
e histórias loucas para contar e rir mais tarde, talvez se isso acontece-se
comigo, não teria necessidade de pensar nesse assunto. Mas a verdade é que isto,
é só para os corajosos! Pessoas que apesar de lhes arrebatar assim no coração,
ainda têm forças para continuar a viver uma interrogação. Mas isto é ainda bem
pior para quem lê, como eu, pois os livros fazem-nos pensar, fazem-nos querer
viver dentro desse grande pedaço de papel. Depois existem as ressacas
literárias que são ainda mais propícias a esta interrogação sobre tudo.
Há livros que nos fazem questionar profundamente
acerca… bem acerca de tudo!
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